"Pregues a palavra a tempo e fora de tempo." "Louvai-o com címbalos retumbantes." "Tudo o que fizeres, faça ao Senhor e não aos homens." "Pois não me envergonho do evangelho que é o poder de Deus a todos."
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10º dia em Bissau


Deus tem feito coisas grandiosas nesse tempo, tenho aprendido um pouco mais da sua verdade e da sua vida, hoje fui dar aulas de violão para um aluno, eu não sou violonista nato, mas sei uns acordes e estou aprendendo a ensinar também, tem sido algo muito legal e uma experiência divertida, a cada dia que passa quando me deito sinto como se fosse mais um dia de missão cumprida, mais um dia que agrado a Deus, mais um dia que vivo os sonhos dele pra mim, me sinto um estrangeiro é verdade! Algumas vezes até sofro, já não é mais engraçado ser chamado de branco (desabafo), dizem que quando sentimos isso é porque já nos sentimos parte desse povo.

Me sinto responsável pelos meus alunos, não pelo meu ego, mas pelo amor do Senhor que me capacitou para os capacitar, estou orando para que Deus faça um avivamento aqui a começar pela minha vida, as vezes penso: “quando eu voltar para o Brasil quero que as pessoas de lá tenham a mesma experiência que eu tive, sintam o que eu senti”. Agora, a frase “A África não precisa de mim, mas eu preciso da África” está fazendo sentido.

Na devocional de hoje o Willian falou sobre o salmo 23, o Senhor o nosso pastor, o pastor de um povo que é nascido de novo, o pastor de um povo que reconhece a sua voz, aqui não vemos grandes manifestações espirituais, não vemos choro, não vemos muitas coisas no “campo espiritual” mas sabe o que nós vemos? Vemos o Espírito Santo, na vida do rapaz da manutenção do centro, um espírito de paz, de alegria, vemos o Espírito Santo na vida do pastor do centro, um espírito de misericórdia e amor, vemos o Espírito Santo na vida do funcionário responsável pela residência dos hospedes, um espírito de serviço e pro atividade, é esse Espírito Santo que Paulo fala, é esse Espírito Santo que tem me constrangido, não somente quando ele fala comigo, mas quando eu o vejo na vida do meu próximo. 

Procure o Espírito na vida do seu Irmão hoje.

Taveira Junior

Guiné-Bissau, 14 de setembro de 2011.

7º dia em Bissau



Domingo fomos a Igreja evangélica de Antula Paal, uma tabanka aqui de Bissau, bom quando cheguei lá fiquei impressionado com a estrutura, uma igreja grande, abafada e de chão batido, na verdade uma estrutura até muito bem feita para África, bem o culto inicia e a equipe de louvor tinha apenas um teclado com uma bateria seqüenciada, um guitarrista e uma sanfona, aos poucos as pessoas iam chegando, o louvor começou e foi se desenrolando, quando de repente a luz se vai, muito normal isso na África, foi nesse instante que eu fiquei impressionado, acabou a luz acabou o som, começam as palmas, as vozes e o louvor alcança uma intensidade muito maior que quando tinha luz, acho que Deus fez isso para ter o prazer de ver seus filhos adorando mais intensamente, enquanto a muitos isso seria um motivo de reclamação, murmuração, aos Guinenses cristãos da igreja de Antula paal, isso é motivo de adorar a Deus, nesse momento a igreja já chegava aproximadamente as mil pessoas, isso mesmo domingo de manhã, um calor imenso e a igreja lotada.
Ainda sem luz começo ouvir um dialeto diferente do Criolo, o Josué me disse que é dos Balantas, uma das quatro etnias aqui de Guiné-Bissau, era um coral, todos eles vinham cantando pelo corredor da igreja e batendo seus pés no chão, algo realmente maravilhoso, subiram no altar e começaram a ministrar e dançar, sempre batendo os pés no chão, realmente muito lindo, após esse grupo, sobe um coral de jovens regido pelo irmão da sanfona, algo realmente maravilhoso, cantando hinos e fazendo as vozes ainda, colocando muito coral de muitas igrejas no bolso, realmente.
A palavra foi ministrada pelo Pastor Miguel em provérbios 18: 10. Torre forte é o nome do Senhor, ele falou em Crioulo e eu pude entender claramente suas palavras, ele pregou sobre ter medo, e em criolo ele falava: N’ ka pudi te medu, a bo kA tene medu, Deus ku bo, Deus cuida di bo, realmente uma palavra de muito encorajamento onde ele dizia que nós cristãos não devemos ter medo, Eu não posso ter medo, você não pode ter medo, Deus é convosco, sempre ele nos guardará, algo realmente sério, uma palavra para uma igreja que a maioria das pessoas moram em casa de barro com telhado de taipa, onde a doença mora ao lado, a miséria passa em frente, pessoas sem perspectiva de vida, sem esperanças terrenas, mas quando se trata do Senhor, quando o assunto é o Deus que pode todas as coisas, realmente essas dificuldades são apenas uma realidade que não interfere no relacionamento desse povo com Deus, a musica, a sinceridade e a espontaneidade é algo realmente que impressiona a nós cristão conformados com uma igreja bem iluminada, que se está calor reclamamos e pedimos para o diácono ligar o ventilador quando não saímos para “pegar um ar” ou para nós músicos que reclamamos quando o som está mal equalizado, ou quando o retorno está com problema, é eu estou aprendendo a dar valor as coisas realmente importantes. Estive numa igreja que está lotada não porque lá se pregam prosperidade, ou cura, ou milagres, não! Está lotada porque a esperança para eles é o Senhor, Deus é o motivo da igreja estar lotada, estive numa igreja de aproximadamente 3000 membros que não se preocupam com o calor, não se importam se tem ou não luz, aprendi nesse domingo que “por meio dele e pra ele são todas as coisas...” tudo vem dele e volta pra ele.    




Taveira Junior


Guiné-Bissau, Domingo 11 de setembro de 2011.

Um Povo que intercede.

Hoje pela manhã fomos a devocional do centro Juvenil aqui em Bissau, e um dos professores do centro, dirigiu a devocional, em meio aos problemas que ele e todos os guineenses, trouxe uma meditação sobre como interceder pelos povos da terra e pelos seus líderes. Impressionante como eles não são egoístas e nem ficam lamentando suas dores, antes se preocupam com povos que não tem nada a ver com eles, e ainda assim intercedem por países em guerra como a Líbia por exemplo. Uma grande lição pra nós que não cessamos de pedir e pedir pra Deus bênçãos a nós.

AENA.

Taveira Junior, Guiné-Bissau 08 de setembro de 2011.

Bissau, 1º dia



A Chegada a esse país foi um pouco conturbada, eu tive as  malas presas, mas após falar que era missionário, foi tudo liberado, cheguei no centro após um passeio por ruas escuras e com muito movimento, pela manhã após o café com os outros professores saí pelo centro juvenil a conhecer as pessoas que aqui moram, trabalham e estudam.

Quando saímos do centro realmente me toquei que estava na África, vi o que ali dentro não se tem, enquanto no centro temos boas condições de vida e de higiene, fora dele está um caos total, não há nada, luz, água, alimento, tudo muito escasso. Mas é importante ressaltar o que o povo dessa terra tem, eles são alegres e estão sempre a rir e cumprimentar, as crianças negras nos chamam de branco o tempo todo como se fossemos seres de outro planeta.

A tarde, depois de almoçar e realizar algumas coisas pelo Canzion no escritório, fomos jogar uma bolinha com os Guinenses, foi muito divertido e instigante, primeiro porque eles são muito violentos entre si, mas quando entravam duro num lance contra eu ou o Josué, eles mesmo paravam e davam a falta. Aqui não se reclama do outro, fica a dica.

Durante o jogo, em um dos momentos que eu estava sentado, uma das crianças que por ali estavam veio e me cumprimentou, depois ela achou estranho pois eu tenho barba, e ficou mexendo na minha barba pra ver se era de verdade e tal, além de que se jogou no meu colo e começou a fazer carinho e meus braços, essa foi a primeira das muitas cenas marcantes que viverei em Bissau.

Meu dia se encerrou agradavelmente, lavei minha própria roupa, a mão! Tomei banho e cá estou, amanha as 8 tomamos café e 8:30 vamos para a devocional do centro.

Taveira Junior.
Guiné-Bissau, 5 de setembro de 2011.

Porque a Igreja é chata?

Um texto que tem me confrontado é o de II Timóteo 1.6 e 7.
"Por essa razão, torno a lembrar-lhe que mantenha viva a chama do dom de Deus que está em você mediante a imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio".


Depois disto eu comecei a analisar nossas posturas nos cultos onde vamos para adorar a Deus certo?
E pra variar fiquei desapontado comigo mesmo, quantas vezes vou para a igreja, toco lá na frente, "ministro" o louvor diante de uma igreja lotada e faço isso apenas por fazer... Quantas vezes já fui para o meu instrumento e na verdade queria mesmo que o culto acabasse para sair? Ah mas espera aí não estou cometendo nenhum pecado "grande" (para os homens). Eu sou um rapaz direito, vou a igreja, leio a Bíblia, oro, toco no louvor e ainda prego e lidero alguns grupos ou células. O que acontece?
A igreja é monótona? Sempre acontecem as mesmas coisas? Avisos, TV, Louvor, participação, dízimos, oração pelos "interesseiros" e uma pregação relevante com muito conteúdo e verdade, porque é a palavra de Deus? NÃO, a culpa não é da igreja, não é do seu pastor que estudou aquele sermão da melhor maneira possível, não é do seu ministro de louvor, nem é do povo que não adora com o coração enquanto você está ministrando aí em cima.
A verdade, sou eu e você que estamos com a chama do dom que Deus nos deu, fraquinha! E as vezes nas melhores das intenções ainda pedimos para o Senhor "queimar os nossos corações", nos reavivar, mas o que acontece então, porque continua do mesmo jeito?
#fato, leia Levítico 6.12 e 13 e você verá que a responsabilidade é sua, é minha, de manter essa chama que Deus nos deu (seu Espírito) sempre acesa, é nossa responsabilidade buscar a presença de Deus pois "Vejam, o braço do Senhor não está tão encolhido que não possa salvar, e o seu ouvido tão surdo que não possa ouvir" (Is. 59.1 e 2). Então tenhamos em nós a postura transformada, a mudança que eu quero ver nas pessoas tem que ocorrer em mim primeiro. Ei acorda, eu estou sendo sincero com Deus e tenho realmente buscado a ele? Ou vou sentar e esperar que Ele venha até mim? "Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus, os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele e por isso ele não os ouvirá".

Como tem sido a minha postura diante da presença e do povo de Deus?
Será que eu estou desanimado ou minha igreja é chata?

Que eu tenha a mesma atitude que eu quero que as pessoas tenham diante de Deus.

"O Avivamento é interno, começa de dentro para fora".

Que ao ler você possa pensar assim como eu como e porquê eu vou a igreja.

Dons espirituais

Os dons espirituais são as manifestações dadas a uma pessoa que tem o Espírito Santo em sua vida, visando suprir as necessidades da igreja de Cristo. Ter a vida habitada pelo Espírito Santo é o que difere um cristão de um não Cristão.
A utilidade desses dons é visando um bem comum, supostamente na época os coríntios davam muita importância ao dom de línguas, por isso Paulo afirma nos versículos 4 a 6 que há diferentes dons mas o Espírito, Senhor e Deus são os mesmos, um só. Esses dons, entretanto tinha quem ser utilizados para o crescimento do corpo e não de forma egoísta, não visando o próprio interesse.
Paulo cita uma lista de dons a partir do versículo 8, porém não são apenas esses dons os existentes e nem os mais importantes, ele nem os escreve para catalogar esses dons à maneira que deveriam ser utilizados, visto que em Rm. 12.6-8 ele cita outros dons, levando a conclusão de que esses dons que Paulo lista aqui em Coríntios eram os dons mais visíveis na igreja.
O mais interessante nesse primeiro relato de Paulo aos Coríntios está no versículo 11 quando cita que o Espírito dá esses dons como lhe apraz, lhe convém.
Podemos então distinguir três categorias de dons do Espírito.
                Em Primeiro lugar os dons essenciais, que todo cristão precisa ter, que mostram a presença do Espírito Santo no espírito humano, são o amor, fé e esperança. O dom de Amor capacita o cristão a demonstrar a presença do Espírito em sua vida; o dom de fé permite o cristão apropriar-se da presença do Espírito e o dom da esperança permite o cristão antever a redenção plena que recebe através do Espírito. Esses dons devem existir em todo cristão pois eles são o testemunho de vida de cada pessoa que se diz cristão.
                O segundo grupo de dons são os dons mais discutidos pelos séculos, são os dons dinâmicos, dons esses que Paulo citou como que servem para edificação da Igreja, em I Co. 14 ele fala sobre o dom de línguas e aconselha a igreja de Corinto a buscar os dons que podem edificar a todo o corpo não somente a um membro. Esses dons são mutáveis, dados segundo a vontade de Deus para suprir a necessidade da comunidade reunida, logo seria impossível descrever esses dons como essenciais para todos os cristãos, cada cristão recebe esses dons como manifestação do Espírito Santo para abençoar o corpo em geral, a palavra manifestação tem por sua essência algo passageiro, isso indica que quem, por exemplo, profetiza não precisa necessariamente profetizar sempre, se não, quando realmente tiver uma palavra profética, assim também para o cristão que tem o dom de cura, só poderá haver cura se houver doentes, esses exemplos exprimem claramente o dinamismo desses dons que são manifestos mediante a necessidade da igreja.
                O terceiro grupo são os dons funcionais, esses dons são necessários para estruturação e coordenação do ministério contínuo da igreja. Dons como, apostolado, evangelismo, pastores, mestres, palavra de sabedoria, são exemplos de dons funcionais. Os “cargos” do ministério formam uma liderança para o corpo de Cristo, esses dons espirituais são dados ao povo para que possam edificar sua igreja, dar testemunho de Cristo e serem luz para a igreja, suprindo suas necessidades.
O propósito dos dons do Espírito é o bem de todo o corpo de Cristo, a edificação cada vez maior da igreja e o aumento do seu testemunho ao mundo.

Fontes:
Bíblia de estudo Genebra;
Manual Bíblico Vida Nova, Vida Nova, pág. 733: os dons espirituais.

A Parusia (vinda) de Cristo no Livro de I e II Tessalonicenses.

Para identificar e entender o porquê Paulo escreve sobre a segunda vinda de Jesus a Igreja de Tessalônica fundada por ele, é necessário conhecer o contexto e as duvidas dos cristãos que lá estaveram..


Ele escreveu essas cartas como todas as outras com o intuito de fortalecer os cristãos gentios que se converteram por seu intermédio e ainda responder questões concernentes ao reino de Deus ao povo. A data da escrita das cartas, por volta de 50 ou 51 A.D. foi um período em que era oferecida proteção aos cidadãos tessalonicenses, pelo imperador romano, eles se tornaram hostis àqueles que glorificavam a Cristo como seu Rei e Redentor (Atos 17:1-9). Para fortalecê-los Paulo responde as suas dúvidas sobre a parusia de Jesus como forma de esperança e força para que permanecessem motivados no Senhor.

Estudos teológicos confirmam a dualidade e paralelismo entre as palavras de Jesus em Mt 24 e as de Paulo aqui em Tessalonicenses, mostrando que Paulo usou das palavras de Jesus para, inclusive ratificar que a parusia e o arrebatamento dos Santos serão eventos simultâneos, combatendo assim teorias como de John Nelson Darby, erudito inglês (1800-1882), que começou a ensinar a nova teoria de um arrebatamento secreto, pré-tribulação, sete anos antes da vinda de Jesus Cristo.

Uma das dúvidas dos tessalonicenses eram sobre os santos que já tinham morrido, eles participariam do arrebatamento? Paulo afirma que todos os cristãos seriam arrebatados juntos, pois “se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trará mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram” (I Ts. 4: 14). Essa questão incomodava os cristãos por isso Paulo relata que essas palavras sirvam de consolo e tranquiliza os entristecidos crentes, (I Ts. 4:18).

Outra questão seria a defesa da maneira em que a parusia aconteceria, muitas falsas maravilhas e sinais enganosos conflitavam os cristãos tessalonicenses, por isso Paulo relata que somente ao toque da trombeta e a voz do arcanjo é que o Filho do Homem virá, os santos se reunirão e subiram com o Ele. Mesmas afirmações que Jesus disse em Mt. 24.

Mais uma questão, quando Jesus voltará? Muitos cristãos por interpretarem de maneira errada as afirmações de Paulo, começaram a crer que essas séries de eventos estavam acontecendo naquele tempo, Paulo que afirmara em I Ts. 5:1e2 que o Dia do Senhor viria como o ladrão da noite, por isso suscita que o povo não fique em trevas (I Ts. 5:4) para que não sejam surpreendidos, volta a afirmar que não acreditassem que por qualquer espírito, palavra ou carta que supostamente anunciasse a vinda de Cristo, deveria agitar seus corações (II Ts. 2: 1-3). Muitos já tinham acreditado ao ponto de não se esforçarem para a evangelização e nem quererem trabalhar mais (II Ts. 3.11).

O evangelho apocalíptico de Paulo assemelha-se muito ao de Cristo em Mat. 24:21-31. Jesus e Paulo apresentam a segunda vinda e o arrebatamento da Igreja como um só evento que ocorrerá imediatamente à tribulação patrocinada pelo anticristo. Enquanto o Mestre advertiu particularmente contra o engano de uma parusia secreta e invisível (Mat. 24:26 e 27), Paulo fez o mesmo especificamente contra o engano de uma parusia a qualquer momento (II Tes. 2:3-8).

@_TaveiraJunior

Cristianismo no Sec. XIX Liberalismo religioso e evangelho social

A era do progresso

                 Fim do sec. XIX e inicio do XX surge o liberalismo religioso, um novo mundo de pensamentos requer uma maneira de dar significado à fé sem distorcer o evangelho, mas como isso? O Professor Kenneth Cauthen diferencia dois tipos de liberalismo, o “liberalismo evangélico” e o “liberalismo modernístico”. Ele dizia que os evangélicos liberais eram cristãos respeitáveis que procuravam por uma teologia que satisfizesse aos “modernos inteligentes”, eles com isso se apoiavam nas experiências cristãs. O outro grupo era ao contrario, eram modernos inteligentes que queria ser cristãos respeitáveis por isso se apoiavam no pensamento moderno.
                Os liberais acreditavam que a teologia cristã deveria caminhar com a ciência moderna e também a fé tinha que ser explicada ou apoiada pela ciência e razão. Ao se renderem a esses pensamentos os liberais aceitaram teorias como o fato do universo ser uma “maquina harmoniosa” que Deus apenas vive nele, surgem dois termos teológicos técnicos cruciais, “imanência” e “transcendência”. A imanência apóia a teoria acima, que Deus apenas trabalha no mundo através da natureza, o mundo é Deus e Deus é o mundo, já a transcendência afirma que Deus criou o mundo e é superior a ele. Os liberais não conseguiam entender que Deus criara o mundo, eles tendiam a relacionar o espiritual com a consciência humana, e o curso da vida entre homem e natureza eles chamavam de Deus. Surgem as teorias da evolução e o famoso cientista Charles Darwin (1809 – 1882) que afirmou a teoria de Lyell ao defender a evolução da terra e das espécies com o seu livro “A origem das espécies”, mas não parou por aí, em 1871 ele lança “A evolução do homem” dizendo que somos seres evoluídos dos macacos. Assim, os liberais acreditaram que as teorias de Darwin apoiavam ao invés de contradizer as do cristianismo. A ciência desde então vem sempre para questionar o governo de Deus no mundo físico, surge o criticismo histórico que para muitos é uma desvalorização bíblica, na realidade é apenas o fato do crítico bíblico ser um estudioso que investiga a bíblia para encontrar explicações racionais ao invés de aceitar os dogmas da igreja. Esse criticismo religioso tomara grandes proporções a ponto de haverem contradições quanto à vida de Jesus, duas obras mais conhecidas criam uma “verdadeira” vida de Jesus, “A vida de Jesus de David Friedich Strauss (1835-1836)” e “A vida de Jesus de Ernest Renan (1863)”. Com isso o criticismo lançou a duvida se a Bíblia era autoridade infalível para fé e pratica cristã. Isso um prato cheio para os liberais se sentirem aliviados por não precisarem aceitar a Bíblia toda como a infalível palavra de Deus. Surge nesse período do séc XIX o Romantismo que veio no meio cristão afirmar do “Cristo vivo”, porque se preocupar com credos externos e formais, quando uma certeza governa nossa alma? Diante de todas essas coisas um grande pensador alemão, Schleiermacher, afirma que o criticismo Bíblico não pode causar danos ao cristianismo, pois o coração da mensagem bíblica fala diretamente com o individuo, e agora mais claramente porque os críticos nos capacitaram a entendê-lo. O impacto do liberalismo não se limitou a uma denominação ou um país, ele desafiou os ortodoxos europeus e da América do Norte. A Revolução industrial trouxe um novo desafio ao cristianismo, como reagir a essa crise social? Críticos dizem que o cristianismo não confrontou a crise, mas fugiu dela, não misturando profissão e ministério. Muitas crises sociais surgiram no período dessa revolução e a igreja estava cada vez mais excluída das posições políticas para discutir essas questões. O cristianismo passou a ser algo restrito, o criticismo agora não era mais religioso e sim político e social, os homens não tinham tempo para as questões “espirituais”. Crises e mais crises assolavam a população e visto que a igreja não tinha mais uma voz ativa nas mesas de discussões políticas, um número de católicos e protestantes lutou por melhores condições para os trabalhadores dessas indústrias, que muitos pertenciam a suas igrejas. Quatro vertentes fizeram parte dessa luta, 1: desafiar em nome de princípios cristãos a filosofia do laissez faire, que dizia que cada ser humano tinha que buscar seus próprios interesses e ser deixado em paz para fazer isso. 2: criar instituições cristãs para os necessitados. 3: apoiar a formação de grupos trabalhistas. 4: apelar ao Estado por uma legislação referente à melhora das condições de trabalho. Havia um impasse entre a competição capitalista e o exagerado controle estatal socialista, a igreja esteve por trás apoiando os grupos de trabalhadores que estavam no meio dessa briga. A história relata Leão XIII (1878 – 1903) foi primeiro papa a apoiar os sindicatos, defendendo o direito da organização dos trabalhadores católicos. Assim, o monopólio estatal e a escravidão industrial proporcionada pelo capitalismo estiveram sob a crítica papal.
                Líderes não conformistas foram os principais ajudantes dos trabalhadores nas suas lutas sindicais. William Booth (1829-1912) começou seu ministério com o trabalho com os pobres em Londres, em onze anos logo tinha 32 bases de evangelização e serviço social, seus trabalhadores ficaram conhecidos como Exército da Salvação, ele é só um dos exemplos dos não-conformistas que lutavam pela melhoria do trabalhador, essas reivindicações alcançaram a Inglaterra, mas foi um processo lento, passo a passo. O evangelho social na América se deu de uma forma diferente, ao invés de partir dos sindicatos conforme o europeu, ele partiu de dentro das igrejas, trazendo a idéia de que o cristianismo não é individualista, mas sim comunitário, o pai do movimento foi Washington Gladden (1836-1918), em sua igreja existiam tanto empregadores quanto empregados. O evangelho social leva o homem a buscar arrependimento por seus pecados sociais e criar uma consciência mais sensível e moderna. Segundo os pregadores do evangelho social, o maior pecado era o sistema capitalista, não sabiam ao certo quais seriam as soluções, mas todos defendiam que o reino dos céus não viria nessas condições sociais. Ao longo de sua história a igreja tentou melhorar a vida do homem aqui na Terra e prepará-la para a eternidade.
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